Monsenhor FLÁVIO JOSÉ DE MEDEIROS FILHO, VINTE ANOS DE SACERDÓCIO

 



Na Catedral de Natal, durante uma solene e memorável celebração eucarística, o prefeito Fernando Bezerra expressou publicamente a gratidão do povo acariense. 

Rendeu testemunho ao zelo com que o homenageado tem promovido a cidade em todos os espaços onde se faz presente; ao trabalho dedicado em conjunto com outros apoiadores para que Acari fosse agraciada com o título de Basílica Menor no templo consagrado a Nossa Senhora da Guia; à atuação firme e generosa em favor da Filarmônica Felinto Lúcio Dantas; e, ainda, a tantos gestos discretos ou públicos que vêm honrando a história, as tradições e as esperanças do povo de Acari. 

A gratidão, afinal, é a resposta mais nobre do coração que reconhece.

O Monsenhor Flávio Medeiros, cuja trajetória presbiteral é edificante, foi homenageado pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte com a Medalha do Mérito Legislativo, a mais alta honraria concedida pelo Parlamento estadual. 

A outorga ocorreu no Centro Pastoral Cônego Deoclides de Brito Diniz, na própria Acari. Natural do Seridó potiguar, pertencente ao clero da Arquidiocese de Natal e residente há vários anos em Roma, o Monsenhor está a serviço da Basílica de São Pedro. É, por mérito e virtude, uma figura rara e sua homenagem, justa e merecida.

Foi ele também o primeiro acariense a atravessar a Porta Santa da Basílica Vaticana, por ocasião da abertura do Jubileu da Esperança, cerimônia presidida pelo Papa Francisco na noite de Natal. O

O rito, carregado de significado espiritual, recorda a necessidade da conversão e da reconciliação, convidando os fiéis a renovarem a fé e a peregrinarem aos túmulos dos Apóstolos. 

Desde que o Papa Bonifácio VIII instituiu o Jubileu, em 1300, a celebração atravessa os séculos como tempo de graça e revitalização interior. 

A participação de Monsenhor Flávio, portanto, é motivo de orgulho não apenas para Acari, mas para todo o Seridó, que nele vê um elo vivo com o coração do catolicismo.

O sacerdote potiguar, Flávio José de Medeiros Filho, integra também o corpo de religiosos que presta serviço durante o conclave responsável pela eleição do novo Papa. Ordenado em agosto de 2005, atualmente com 48 anos, exerce as funções de cônego e primeiro cerimoniário da Basílica de São Pedro, conforme destacou a revista Piauí

Sua missão compreende organizar o rito das celebrações internas e acolher peregrinos nas atividades litúrgicas. Vive na Casa Santa Marta, antiga residência do Papa Francisco, embora a tenha deixado temporariamente para que o espaço abrigasse os 133 cardeais participantes do conclave. Neste período, hospeda-se em um colégio dentro do Vaticano.

Por conta do conclave, o Monsenhor esteve sem acesso à internet, como informou a Arquidiocese de Natal. No entanto, na véspera do início da eleição pontifícia, concedeu entrevista à Rádio Rural de Natal, esclarecendo que não está entre os eclesiásticos vinculados ao voto de silêncio. 

Explicou que o sigilo compete apenas a uma parcela restrita de cerimoniários pontifícios e funcionários que terão contato direto com os cardeais durante as votações. Aos cônegos da Basílica, cabe manter o templo aberto, assegurar a continuidade das celebrações e acolher os fiéis até o momento em que o novo Pontífice for eleito e apresentado ao mundo, desde a loggia da Basílica.

Indagado sobre o ambiente entre os cardeais, afirmou perceber serenidade e espírito eclesial, apesar das especulações da mídia. Recordou que todos vinham participando das celebrações fúnebres do Papa Francisco, muitos deles já com mais de oitenta anos, não mais eleitores, mas igualmente comprometidos com o bem da Igreja.

Enquanto as votações prosseguem com fumaça preta indicando indefinição, o ministério do Monsenhor segue em plena atividade. Em abril de 2022, o Papa Francisco elevou-o à dignidade de cônego da Basílica Vaticana, fazendo-o membro efetivo do venerável Cabido de São Pedro, instituição fundada em 1053 pelo Papa Leão IX. 

O Cabido, composto por monsenhores de nomeação pontifícia, é responsável pela vida litúrgica, pastoral e ministerial da maior igreja da cristandade, em serviço direto ao Sucessor de Pedro. Na celebração de Domingo de Ramos, no altar da Cátedra, Monsenhor Flávio renovou publicamente sua profissão de fé e recebeu a bula e as insígnias próprias de sua nova dignidade.

Em entrevista, destacou que seu maior desafio é viver, ali, o mesmo ofício de qualquer sacerdote e anunciar o Evangelho, administrar os sacramentos, rezar a Liturgia das Horas com o povo e acolher peregrinos vindos do mundo inteiro numa basílica que guarda, há dois milênios, o túmulo de São Pedro, o Apóstolo sobre o qual Cristo edificou sua Igreja.

A vida de Monsenhor Flávio cruza-se, de maneira singular, com quatro pontificados. Como jovem seminarista, cantou na Missa de Natal presidida por João Paulo II em 2004 e participou de sua primeira missa exequial, segurando a bacia de água benta usada nas despedidas do Papa falecido. 

Assistiu à eleição de Bento XVI, de quem recebeu a comunhão na Missa de posse. Durante o pontificado de Francisco, serviu como cerimoniário do Vaticano, e, recentemente, esteve diante do cardeal Robert Prevost pouco antes de sua eleição como Papa Leão XIV, o 267.º Papa da Igreja.

Hoje, reconhecido além das fronteiras do Acari, mas sem deixar de ser o “Padre Flavinho” para sua terra natal, ele retorna ao Rio Grande do Norte para celebrar duas décadas de ordenação sacerdotal. Duas missas em ação de graças marcam a data: a primeira na Catedral Metropolitana de Natal e a segunda na Basílica Menor de Nossa Senhora da Guia, em Acari templo cuja elevação à dignidade de Basílica tem, em sua história, o valioso intermédio do Padre Deoclides de Brito Diniz, que um dia batizou o jovem Flávio José e hoje se une espiritualmente a sua trajetória.

Portanto, a vida do Monsenhor Flávio Medeiros, sacerdote, cerimoniário, cônego e filho devotado do Seridó inscreve-se na linhagem daqueles que, pela fé e pelo serviço, aproximam o Brasil da Sé de Pedro, afirmando a comunhão entre a Igreja de Natal e o coração do catolicismo universal.

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