EDGAR HORÁCIO DE MEDEIROS, UM SERIDOENSE DA POLÍTICA E DA GENEALOGIA


Edgar Horácio de Medeiros nasceu em 28 de dezembro de 1939, no sítio Carnaúbas, então parte do município de Serra Negra do Norte. 

Filho de José Horácio de Medeiros e Isabel Eunice de Medeiros, e neto de Horácio José de Medeiros e Francisca Franquilina de Medeiros (por parte de pai), e de Joaquim Nisau de Medeiros e Emília Virgilina de Medeiros (por parte de mãe). 

Embora seus documentos de registro apontem 17 de janeiro de 1940 e a cidade de São João do Sabugi como data e local de nascimento, sua vida foi forjada no sítio Carnaúbas, onde se dedicou às atividades rurais, especialmente à produção de queijo de manteiga, uma tradição familiar.

Sua jornada educacional começou no próprio sítio, seguindo para o Grupo Escolar Senador José Bernardo, em São João do Sabugi, e concluindo o 5º ano no Colégio Diocesano, em Patos, Paraíba. 

Em 1959, ele se alistou no Exército, servindo no 1º BEC, em Caicó.

Em 1963, casou-se com Terezinha Quinino de Medeiros e fixou residência no sítio Carnaúbas. 

Da união, nasceram sete filhos (um deles adotivo): Adriana, Rosana, Maria de Fátima (“Fatota”), Denise Valéria, Flávia Lúcia, Denise Valéria (a segunda, com o mesmo nome e datas de nascimento diferentes) e Benedito Eugênio da Silva (adotivo), além de Denilson Robson de Medeiros (já falecido).

Sua carreira política começou em 1965, quando foi eleito vereador na primeira legislatura de Ipueira. 

Em 1973, tornou-se vice-prefeito de São João do Sabugi. Em 1989, retornou à vida pública, sendo eleito prefeito de Ipueira. Ele foi reeleito em 1996 e 2000, e encerrou sua trajetória política em 2004.

Após seu primeiro mandato como prefeito, em 1993, Edgar voltou ao sítio Carnaúbas e iniciou uma nova paixão: o estudo de suas origens e da genealogia das famílias do Seridó, um hobby que cultiva até hoje.

Edgar Horácio de Medeiros é o patrono de uma relíquia familiar, uma bengala que pertenceu a seus ancestrais portugueses, da ilha da Madeira. 

O artefato, datado de 1645 e trazido ao Brasil em 1739 pelos irmãos Rodrigo e Sebastião de Medeiros Matos, é feito de madeira densa com uma ponteira e um punho de prata, e carrega o nome de seu pai, Manoel Afonso de Matos.

Além disso, uma de suas pesquisas mais recentes busca conectar o genitor da família Medeiros no sertão potiguar, Antônio Paes de Bulhões, a Santo Antônio de Pádua/Lisboa (Fernando Martins de Bulhões e Taveira de Azevedo). 

A partir de relatos familiares transmitidos de geração para geração, Edgar conseguiu reunir documentos históricos que comprovam 81% da relação de descendência entre as duas famílias. 

A pesquisa revelou outras conexões surpreendentes dos Medeiros com a realeza inglesa e espanhola e até com imperadores romanos, resultando na identificação de mais de 20 mil pessoas.

Atualmente, aos 83 anos, Edgar Horácio de Medeiros vive em Ipueira, mas continua a visitar o sítio Carnaúbas para passear e recordar o local que foi o berço de sua história, sempre relatando a quem  interessar, a história do próprio município. 

Para ele, a história de Ipueira tem início na região do Riacho dos Bois, território originalmente habitado pela tribo dos índios Pegas, pertencentes à nação dos Cariris. 

Nessa localidade situava-se a Fazenda Ipueira, propriedade de João Manoel de Medeiros, que, segundo relato de Nestor Lima em 1925, possuía também um pequeno açude, um engenho de rapaduras e lavouras de cereais. 

O topônimo “Ipueira” designa terreno alagado, represa natural ou lagoeiro.

Com o falecimento de João Manoel de Medeiros, seus filhos herdaram e assumiram a administração dos bens. 

Entre os herdeiros estava Francisco Alencar de Medeiros, que, juntamente com os demais, decidiu cumprir a promessa feita por seu pai: doar uma parte das terras para a construção de uma capela dedicada a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e para a formação de um povoado. 

Embora tenham feito a doação do terreno, os filhos de João Manoel não se encarregaram da execução das obras de fundação, as quais viriam a ser conduzidas pelo esforço coletivo da comunidade.

Os trabalhos de desbravamento e preparo da área doada tiveram início em 3 de março de 1939, sob a liderança de Francisco de Quinino, sendo concluídos três meses depois. 

O terreno media 100 braças de frente por 150 braças de fundo, e a respectiva escritura foi lavrada em 27 de abril de 1939, pelo tabelião José Carlos de Medeiros, no cartório de São João do Sabugi. 

O novo povoado foi inaugurado em 5 de agosto de 1939, com solenidade que incluiu a celebração da primeira missa, presidida pelo Padre Walfredo Dantas Gurgel. 

Inicialmente, Ipueira integrava o território de Serra Negra do Norte, passando, em 1948, a pertencer a São João do Sabugi.

O desmembramento ocorreu em 31 de dezembro de 1963, por força da Lei nº 3.016, de autoria do deputado Dari Dantas e sancionada pelo então governador do Estado, Dr. Aluízio Alves, elevando Ipueira à categoria de município. 

A instalação oficial deu-se em 14 de fevereiro de 1965. Situado na região do Seridó, no Estado do Rio Grande do Norte, o município de Ipueira encontra-se a 305 quilômetros da capital e possui área territorial de 171,3 km².


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