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ZÉ PIRES

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    José Pires Segundo (1940-2025), conhecido como Zé Pires, destaca-se como um verdadeiro guardião das informações sobre a família Pires e os demais membros da comunidade. Valendo-se da tradição oral, instrumento essencial para a transmissão de conhecimentos e cultura entre gerações, ele preservava viva a história de seus antepassados. No âmbito familiar, José Pires uniu-se em matrimônio a Ana Maria. Desta aliança, formou-se a sua descendência composta pelos filhos Janaína, Joanna Eleonora e Harrinson. Zé Pires era o filho caçula de Enéas Pires Galvão, nascido em Acari/RN em 1879 e falecido na mesma cidade em 1961, e de Joana Leopoldina Pereira de Araújo (1903–1963). Seu pai foi uma figura de relevo na região: topógrafo e fazendeiro que exerceu o cargo de Intendente, ocasião em que inaugurou o sacro Monte do Galo, em Carnaúba dos Dantas, e atuou como deputado estadual na legislatura de 1925 a 1928. Enéas contraiu matrimônio duas vezes, deixando vasta descendência. Entre os ir...

SEU BILÉ

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   Sobre Manoel José Fernandes, que recebe a alcunha de “Bilé”, nasceu em 3 de outubro de 1910, no município de Taperoá, no vizinho Estado da Paraíba.  O apelido “Bilé” surgiu de forma afetiva na infância, quando sua irmã mais velha, Maria Elita, nascida em 1909, chamava-o de “bebê Bié”, expressão infantil que, com o tempo, consolidou-se como o nome pelo qual seria amplamente conhecido e estimado em sua comunidade. O nascimento de Bilé no solo paraibano decorreu de um contratempo na trajetória profissional de seu pai, então Fiscal de Consumo do Estado do Rio Grande do Norte. Por motivos de ordem política, Antônio Bezerra foi compelido a pedir demissão do cargo, o que levou a família a transferir-se para Taperoá. Na nova cidade, buscou restabelecer a estabilidade doméstica e financeira mediante o trabalho, associando-se ao primo Francisco Bezerra de Araújo Galvão (1874–1970), proprietário de uma casa comercial no ramo de tecidos e, iniciava-se, assim, uma nova etapa em sua...

ÍTALO SANFONEIRO

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  A trajetória de Pedro Ítalo Duarte , conhecido artisticamente como Ítalo Sanfoneiro , integra a memória cultural recente do Seridó.   Natural do Junco, na Paraíba, e radicado em Cruzeta, no Rio Grande do Norte, o músico construiu sua experiência artística a partir da in fância, quando, criado pela avó materna, já demonstrava interesse pela música.   A relação com a sanfona e com o repertório tradicional do forró tornou-se, ao longo dos anos, o eixo de sua atividade profissional.  Ítalo nasceu em 28 de junho de 1988, no Junco.   Segundo seu relato, foi criado pela avó materna, sob disciplina rígida.   Desde criança manifestava o desejo de seguir a música, embora encontrasse resistência familiar.   Aos sete anos já demonstrava interesse em tocar instrumentos e, aos doze, iniciou-se como zabumbeiro, acompanhando músicos da região.   Aos quinze anos começou a aprender sanfona com um colega em Currais Novos, dando novo r...

SEU BASTO LEITE

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  Sebastião Alves da Silva — Seu Basto Leite — nasceu em 1924. Pelo menos é o que a família sabe. O registro diz 1925, em Parelhas ou Equador, com sobrenome diferente do que a família carregava.  A explicação é simples e revela muito sobre o tempo: para escapar do recrutamento da Segunda Guerra Mundial, ele e outros como Chico Leite declararam-se nascidos em 1925, saindo fora das classes convocadas de 1923 e 1924. O sobrenome Leite, heranças do avô, foram trocados pelo genérico Silva, invisível o suficiente para não chamar atenção.  No sertão daquele tempo, identidade era ferramenta de sobrevivência. Você usava o nome que precisava usar para não ser mandado para uma guerra em terra estrangeira. Seu Basto Leite fez o que qualquer homem razoável faria e o genealogista que vier depois precisa saber disso para entender por que o documento diz uma coisa e a memória oral diz outra.  Tenório cresceu com o algodão. O ouro branco que trouxe homens para  encher usinas de ...

MONSENHOR ANTENOR

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  MONSENHOR ANTENOR SALVIANO DE ARAÚJO (1929-2026) P ároco Emérito de Sant’Ana de Caicó, é uma referência na comunidade eclesiástica e símbolo da ‘grandiosa’ Festa de Sant’Ana. O sacerdote caicoense foi ordenado em 1960, na ressaltada Catedral, por Dom Manuel Tavares. Intelectual, conhecedor profundo da história local e do Brasil. O Monsenhor foi professor no Ginásio Diocesano Seridoense e no Instituto de Educação. Construiu o Castelo de Engady e o Emérito de São Sabas. É um dos fundadores da Rádio Rural AM de Caicó, onde até hoje apresenta o programa “O Mundo Bíblico”.

PADRE TÉRCIO

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  Monsenhor Ausônio Tércio de Araújo (conhecido como Padre Tércio) foi uma das figuras religiosas e educacionais mais importantes do Rio Grande do Norte. Ele faleceu em 9 de janeiro de 2021, aos 85 anos,  em Natal . Nascido em Currais Novos, em 12 de outubro de 1935, Ausônio Tércio de Araújo teve sua vida e obra profundamente entrelaçadas com a história de Caicó, cidade que o acolheu e lhe conferiu o título de Cidadão Caicoense em 1968, por iniciativa do então prefeito Inácio Bezerra. Filho de Ausônio Araújo, agente fiscal da prefeitura local, e de Maria Dalila Gomes, ele foi batizado na Matriz de Sant'Ana de Currais Novos, em 16 de novembro de 1935.  Ao longo de sua vida, o Padre Tércio, que se tornaria Monsenhor, fez questão de se apresentar como professor, uma vocação que o acompanhou em todas as suas atividades. Sua formação foi vasta e rigorosa, obtendo mestrado em Filosofia e Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Além de sua erudição, valorizava...

FAMÍLIA SANTOS

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  A memória de uma família não se sustenta apenas em datas anotadas ou nomes inscritos em velhos papéis. Ela vive nas lembranças transmitidas de geração em geração, nos relatos guardados à sombra dos alpendres, nas histórias contadas ao redor da mesa e nos rastros deixados por aqueles que ajudaram a construir um destino comum.  Assim se insere a trajetória de Olavo Juvêncio dos Santos (1938-2026), cuja vida atravessou quase nove décadas e se confundiu com a própria história de sua gente.  Olavo era de Cruzeta, filho daquelas terras secas e firmes do Seridó. Suas raízes estavam fincadas no sítio Planalto, do compadre Ajácio Góes, e no Soin, lá na comunidade das Marias Pretas, lugar onde ele e o irmão Salustre Juvêncio dos Santos criavam gado juntos, dividindo o trabalho e a sorte.  Olavo Viveu oitenta e oito anos, tempo bastante para testemunhar mudanças, conservar lembranças e servir de elo entre os mais antigos e os mais novos. Enquanto viveu, carregou consigo as me...