GENIBALDO BARROS (1927/

 


Nos confins do semiárido potiguar, sob o sol inclemente que molda o caráter do povo nordestino, nasceu Genibaldo Barros na cidade de Currais Novos, encravada na histórica região do Seridó. 

Veio ao mundo como herdeiro de uma linhagem ilustre, filho do farmacêutico e político Tristão de Barros (1896–1936) e de Severina de Araújo Barros (1899–1951), trazendo no sangue o legado de seus avós, o Capitão Luiz Martins de Oliveira Barros e Dona Izabel Martins de Macêdo Cabral.

Desde cedo, sua trajetória foi marcada por uma itinerância intelectual que o conduziu pelos mais tradicionais centros de ensino do Nordeste. 

Em 1938, ingressou no Seminário São Pedro; contudo, a vocação eclesiástica não encontrou eco em seu espírito, levando-o a buscar novos horizontes. 

Em Natal, frequentou os bancos escolares do Colégio Santo Antônio, o hodierno Marista e, posteriormente, o Ginásio Santa Luzia, em Mossoró. 

Sua formação humanística e científica completou-se em Recife, no renomado Colégio Oswaldo Cruz, prelúdio de sua graduação em Medicina pela Faculdade da Bahia, concluída em 1953. 

Não satisfeito apenas com a formação generalista, buscou o aprimoramento técnico além-fronteiras, especializando-se na Universidade de Buenos Aires.

Apesar de sua vasta erudição médica e de ter se tornado Professor de Pneumologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Genibaldo nunca se apartou de suas raízes. 

Genealogista nato e pesquisador com alma de historiador, converteu-se em um preservador incansável da cultura regional. Sua presença tornou-se constante em simpósios e congressos que versem sobre a historiografia do sertão, atuando como um verdadeiro promotor da identidade potiguar. 

Como um ritual sagrado de reconexão com sua essência, mantém a tradição do deslocamento anual à Fazenda 'Pau Leite', em Currais Novos, o exato rincão onde nasceu e vivenciou sua infância, onde se deleita com a culinária típica e revive as memórias de seus antepassados.

A vida pública de Genibaldo Barros confunde-se com a história política e administrativa do Rio Grande do Norte na segunda metade do século XX. Sua competência técnica o elevou ao cargo de Secretário de Saúde entre 1971 e 1974, durante a gestão governamental de Cortez Pereira. 

A proeminência de sua atuação o conduziu à Vice-Governadoria do Estado, compondo a chapa de Tarcísio Maia no quadriênio de 1975 a 1979.

Sua vocação para a vida pública, no entanto, transcendeu o executivo. Em 1979, foi nomeado Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RN), corte que presidiu com distinção entre 1983 e 1984. 

Paralelamente, em um período que exigia liderança e sabedoria acadêmica, assumiu a Reitoria da UFRN de 1983 a 1987, consolidando seu nome não apenas como um médico e político, mas como um pilar da educação e da memória do povo norte-rio-grandense. 

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