VIDALVO SILVINO DA COSTA
Casou-se com a cearense Cláudia, conhecida como Cláudia de Dadá, com quem teve três filhos: Vidalvo, Cíntia e Tiago, também grafado Thiago. Sua atuação política, entrementes, não eclipsou o vínculo profundo com a terra seridoense, vínculo que viria a orientar uma guinada decisiva em sua vida. A infância de Vidalvo Silvino da Costa, conhecido por Dadá, foi profundamente marcada pela vida rural.
Criado no sítio Várzea Comprida, ao pé da Serra de Samanaú, viveu desde cedo a aspereza e a grandeza do sertão. Ainda menino, aos 7 anos, fugia de casa para tomar banho no Rio Seridó e no Rio Barra Mansa, experiências que quase lhe custaram a vida por três vezes, quando esteve à beira do afogamento.
A rotina era de trabalho árduo: acordava por volta das três horas da madrugada para tirar leite e cuidar dos bezerros, aprendendo antes de tudo o valor do esforço e da disciplina.
Somente aos 11 anos foi alfabetizado, em casa, mas recuperou o tempo que lhe parecera perdido ao concluir o curso de Engenharia aos 26 anos, idade comum à maioria dos formandos, síntese de uma trajetória em que primeiro se aprende a trabalhar para, depois, aprender a estudar.
Produtor de cachaça potiguar, Dadá Costa fundou, em 2004, o Alambique Samanaú, no Sítio Samanaú, em Caicó, aproveitando a perenização do Rio Seridó para cultivar cana-de-açúcar local, reconhecida pelo elevado teor de sacarose proporcionado pelo clima da região.
O empreendimento consolidou-se como referência na produção artesanal de aguardentes no Rio Grande do Norte, com atuação inclusive no mercado internacional. A produção pauta-se pela valorização do insumo regional e pela busca de certificação orgânica, uma vez que não utiliza agrotóxicos no plantio.
Além do alambique, o produtor mantém participação em outras empresas do setor de bebidas destiladas, com registros regulares junto aos órgãos competentes. Havia, no território potiguar, áreas consideradas mais adequadas para o cultivo da cana e a instalação de um alambique.
Ainda assim, fiel à máxima que, parodiando Euclides da Cunha, afirma que o seridoense é, antes de tudo, um apaixonado pela própria terra, foi em Caicó, no sítio outrora pertencente à sua avó, ao pé da Serra de Samanaú, hoje conhecida como Serra de São Bernardo que decidiu fincar raízes e produzir uma das cachaças mais premiadas e comercializadas do Estado, a cachaça Samanaú.
A propriedade Samanaú, cuja origem remonta a 1703, é considerada a primeira propriedade rural do Seridó; o nome, de raiz indígena, segundo Câmara Cascudo, significa “serra negra” ou “serra listrada de preto”. Em homenagem à avó, proprietária de terras na região, Dadá criou, quando prefeito, um bairro em Caicó com o nome Samanaú, gesto que reforça sua ligação afetiva com o lugar.
Nos primeiros anos do século XXI, já como deputado estadual, enfrentou um câncer, experiência que o levou a repensar os rumos da vida pública. Optou, então, por trocar “uma cachaça por outra”, como costuma dizer, afastando-se da política e dedicando-se integralmente à produção artesanal.
As lembranças de infância, observando a feitura de rapadura nas fazendas, despertaram-lhe o interesse pela atividade, embora, até então, não conhecesse um alambique sequer. Buscou formação especializada, realizando pós-graduação em Tecnologia da Cachaça em Minas Gerais, visitou inúmeros alambiques e construiu o seu próprio, hoje elogiado em todo o país. A Samanaú obteve certificação orgânica, conquistou prêmios nos Estados Unidos e em Bruxelas e figurou com destaque em rankings nacionais, inclusive na revista Playboy.
Desde 2004, a produção se mantém como atividade que combina prazer, trabalho intenso e pesquisa constante. Em entrevistas, recorda histórias da Serra de Samanaú, revive a infância no sítio Várzea Comprida, descreve a experiência singular de produzir cachaça na Ribeira do Seridó, sempre reconhecendo os alambiques que o antecederam e revela um de seus cuidados mais singulares: a coleção de cactos, com mais de 600 espécies provenientes de várias partes do mundo.
Instaladas no Alambique Samanaú, a cerca de 15 quilômetros do centro de Caicó, as plantas podem ser visitadas por quem deseja conhecer de perto tanto a produção da cachaça quanto a paisagem cultural e afetiva que sustenta essa trajetória, síntese de um seridoense que transformou memória, trabalho e identidade em patrimônio.
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