REJANE MEDEIROS (1944-2024)
foi uma atriz brasileira de destaque no cinema nacional, notabilizando-se sobretudo na década de 1970, período de intensa efervescência artística do audiovisual brasileiro.
Nascida no município de Acari, no interior do Rio Grande do Norte, viveu ali até os seis anos de idade, quando se mudou com a família para Natal.
Desde cedo demonstrou inclinação artística, frequentando assiduamente salas de cinema e nutrindo profunda admiração pelas grandes atrizes da época, cujas interpretações procurava imitar ainda na infância.
Na adolescência, trabalhou vendendo cocadas nas imediações do Cine São Luiz, no bairro do Alecrim, em Natal, como forma de garantir acesso aos filmes que tanto a fascinavam.
Em 1963, após o falecimento de seu pai, decidiu deixar a capital potiguar e partir para o Rio de Janeiro, movida pelo desejo de seguir carreira artística. Nesse mesmo ano, participou do concurso Miss Rio Grande do Norte, representando o Aeroclube de Natal, experiência que contribuiu para sua projeção inicial.
Sua estreia no cinema ocorreu em 1964, quando, ainda adolescente, leu um anúncio de jornal convocando atrizes para testes do filme 'Selva Trágica', dirigido por Roberto Farias.
Aprovada para o papel de Flora, contracenou com Reginaldo Faria naquele que se tornaria um dos clássicos do cinema brasileiro. A partir daí, iniciou uma trajetória consistente, participando de diversas produções relevantes ao longo das décadas seguintes.
Em 1969, interpretou Maria Bonita no filme 'Meu Nome é Lampião', papel que consolidou sua projeção nacional.
Ao longo dos anos 1970, atuou em obras marcantes, como 'A Noite do Espantalho' (1974), dirigida por Sérgio Ricardo; 'Anchieta, José do Brasil' (1977), sob a direção de Paulo César Saraceni; e 'Soledade – A Bagaceira' (1976), adaptação cinematográfica do romance homônimo de José Américo de Almeida, na qual alcançou um de seus momentos mais expressivos de reconhecimento artístico.
Entre 1976 e 1978, tentou consolidar uma carreira internacional, residindo na Itália, onde participou de produções cinematográficas e televisivas. Nesse período, destacou-se ao interpretar Anita Garibaldi na série 'Il Giovane Garibaldi', ampliando sua visibilidade fora do Brasil.
Ao longo de sua filmografia, Rejane Medeiros participou de dezenas de produções, entre as quais se destacam 'Entre o Amor e o Cangaço' (1965), 'Tarzan' e o 'Menino da Selva' (1969), 'Sangue Quente em Tarde Fria' (1970), 'O Pecado Mortal' (1970), 'A Vingança dos Doze' (1970), 'O Guru das Sete Cidades' (1972), 'O Torturador' (1980) e 'The Conquest of Paradise' (1981).
Seu último trabalho no cinema foi 'Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha' (2012), dirigido por Helena Ignez e Ícaro Martins, com roteiro de Rogério Sganzerla, no qual atuou ao lado de Ney Matogrosso, Maria Luísa Mendonça e Bruna Lombardi.
Na vida pessoal, casou-se em 1980 com o renomado multi-instrumentista e compositor Egberto Gismonti, com quem teve dois filhos, Alexandre Gismonti e Bianca Gismonti, ambos músicos.
Sua trajetória também foi marcada por episódios controversos, como a condenação judicial ocorrida em 1979, relacionada ao uso de entorpecentes, episódio que repercutiu amplamente na imprensa da época e afetou sua carreira, embora posteriormente tenha sido reconhecido que não havia envolvimento direto com o tráfico.
Após anos afastada do Rio Grande do Norte, Rejane retornou ao Estado em 2008, ocasião em que foi homenageada em Natal e em Acari, sua cidade natal, onde esteve pela primeira vez desde a infância. Participou da abertura do festival Goiamum Audiovisual e recebeu diversas manifestações de reconhecimento por sua contribuição ao cinema brasileiro.
Rejane Medeiros faleceu aos 80 anos, no Rio de Janeiro, onde residia, após lutar contra um câncer. Seu sepultamento ocorreu no Cemitério do Alecrim, em Natal. Considerada a primeira atriz potiguar a alcançar projeção nacional, deixou um legado artístico relevante, marcado por interpretações intensas, presença expressiva e participação em obras fundamentais da cinematografia brasileira, permanecendo como referência na história cultural do Rio Grande do Norte e do cinema nacional.
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