ULISSES BEZERRA POTIGUAR (1926-2009)
A trajetória de Ulisses Bezerra Potiguar inscreve-se de modo definitivo na história política e administrativa do Rio Grande do Norte, especialmente na região do Seridó, onde construiu uma vida pública marcada pelo compromisso com o desenvolvimento regional, pela ética no exercício das funções públicas e por uma profunda sensibilidade social.
Nascido em Parelhas, no dia 16 de janeiro de 1926, filho de Arnaldo Bezerra de Albuquerque e de Nair Bezerra, Ulisses Potiguar desde cedo demonstrou forte vínculo com sua terra natal, característica que se tornaria um dos traços mais evidentes de sua atuação profissional e política ao longo de mais de cinco décadas de serviço público.
Formado em Medicina pela Universidade Federal de Pernambuco em 1951, retornou ao Seridó decidido a exercer a profissão com espírito humanitário. Em Parelhas, tornou-se amplamente conhecido pela dedicação aos mais humildes, atendendo gratuitamente grande parte da população carente, o que lhe rendeu o reconhecimento popular e o simbólico título de “médico da pobreza”.
Paralelamente à atividade médica, dedicou-se à agropecuária, fortalecendo seus laços com o homem do campo e aprofundando sua compreensão das dificuldades estruturais enfrentadas pelo seridoense, experiência que viria a orientar suas futuras decisões na vida pública.
O ingresso de Ulisses Bezerra Potiguar na política ocorreu em 1954, quando foi eleito vereador em Parelhas, iniciando uma trajetória ascendente que o levaria a ocupar cargos relevantes em diferentes esferas do poder.
Em 1962, conquistou seu primeiro mandato como deputado estadual, sendo reeleito em 1966, já sob a legenda da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), no contexto do bipartidarismo instaurado pelo regime político da época. Na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, destacou-se pela defesa de pautas voltadas à melhoria da infraestrutura, à ampliação dos serviços de saúde pública e à valorização econômica e social do Seridó.
A projeção de sua atuação o conduziu, em 1974, à Câmara dos Deputados, consolidando sua presença no cenário político nacional. Em 1981, após o falecimento do deputado Djalma Marinho, foi efetivado no cargo de deputado federal, embora o mandato tenha sido objeto de questionamento judicial por meio de mandado de segurança, episódio que não comprometeu sua imagem pública nem sua trajetória política.
Em 1982, disputou uma vaga no Senado Federal pelo Partido Democrático Social (PDS), sendo eleito primeiro suplente do senador Carlos Alberto de Sousa, o que ampliou ainda mais sua inserção nos altos escalões da política potiguar.
Sua carreira não se limitou ao Poder Legislativo. Em 1979, Ulisses Bezerra Potiguar foi nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte, instituição na qual se destacou pelo equilíbrio, pelo rigor técnico e pelo notório conhecimento administrativo.
Anos mais tarde, ascendeu à presidência do TCE-RN, consolidando sua reputação como uma das figuras mais respeitadas no campo do controle e da fiscalização das contas públicas estaduais. A atuação no Tribunal reforçou sua imagem de homem público comprometido com a legalidade, a transparência e a boa gestão dos recursos públicos.
Mesmo após sua passagem por instâncias estaduais e federais, Ulisses Potiguar manteve vínculo direto com a política municipal. Em 1988, retornou à vida pública local ao eleger-se vice-prefeito de Parelhas pelo Partido da Frente Liberal (PFL), reafirmando sua disposição de servir à comunidade que o viu nascer e que sempre esteve no centro de suas preocupações políticas.
Ao longo de sua carreira, apresentou numerosos projetos, requerimentos e reivindicações voltados às necessidades concretas da população, sobretudo do interior do estado. Entre suas iniciativas mais emblemáticas, destaca-se a solicitação, em 1964, para a realização de campanhas de vacinação contra a poliomielite em Parelhas, demonstrando sua atenção especial à saúde pública e à proteção da infância.
Em 1969, empenhou-se na recuperação das rodovias que interligam os municípios de Acari, Parelhas e Equador, reconhecendo a importância da infraestrutura viária para o desenvolvimento regional.
No ano seguinte, em 1970, apelou ao Ministério de Minas e Energia para que a sede da Minerobrás fosse instalada no Seridó, com o objetivo de fomentar a economia local e valorizar o potencial mineral da região. Também defendeu melhorias nos serviços postais de Santana do Seridó, evidenciando seu cuidado com serviços básicos essenciais à população.
Ulisses Bezerra Potiguar faleceu em Natal, em 15 de março de 2009, deixando um legado amplamente reconhecido como síntese do ideal de serviço público. Sua vida conjugou sólida formação acadêmica, sensibilidade social, compromisso ético e dedicação incansável ao desenvolvimento coletivo do Rio Grande do Norte.
O reconhecimento póstumo de sua trajetória materializou-se em importantes homenagens, como a lei sancionada em 2014 pela Assembleia Legislativa que atribuiu seu nome à adutora que liga Parelhas a Carnaúba dos Dantas, obra de grande relevância para o abastecimento hídrico da região.
Também foi proposta a denominação da Barragem Boqueirão, em Parelhas, com seu nome, como gesto simbólico de gratidão por sua atuação em favor do progresso regional.
A memória de Ulisses Bezerra Potiguar permanece viva no Seridó e na história política potiguar como a de um médico humanista, gestor público íntegro e político seridoense que ascendeu a partir de sua comunidade e trabalhou, de forma coerente e perseverante, para promover melhores condições de vida para o povo de sua terra.

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