SEBASTIÃO DA VIÚVA

  Sebastião Pereira da Silva (1889–1964), conhecido na tradição oral como Sebastião da Viúva, Sebastião Sancho ou pelo apelido familiar de Joca, nasceu em 19 de janeiro de 1889 no Sítio Saco dos Pereiras, em Acari, Rio Grande do Norte. Era o caçula dos dez filhos de Antônio Pereira da Silva (nascido em 1850) e de Francisca Maria da Conceição (nascida em 1855 e popularmente chamada de Chiquinha Viúva por conta do falecimento precoce do esposo, ocorrido um ano após o nascimento de Sebastião). Diante das carências da época e da orfandade paterna, passou no ano de 1901, aos doze anos de idade, à tutela de seu padrinho, o fazendeiro José Sancho Pereira de Araújo (1858–1920), com quem viveu até o passamento deste e de quem herdou o segundo apelido popular. Sob a orientação de seu padrinho e em convívio direto com o meio rural, tornou-se vaqueiro exímio e pioneiro na condução de comitivas de gado que desbravavam o território potiguar, tendo integrado, em 1942, a histórica e derradeira jornada de Antônio Medeiros rumo a Ceará-Mirim. Após o falecimento de José Sancho em 1920, retornou ao seu berço natal no Saco dos Pereiras, onde se consagrou mestre do ofício sertanejo e dedicou-se à transmissão das práticas do pastoreio às novas gerações. Homem de espírito ávido e singular, alfabetizou-se sob a instrução de um veterano da Guerra do Paraguai e notabilizou-se na região por seus saberes empíricos de cura animal no combate a miíases, rito que preservava sob estrito segredo para não perder a eficácia. Sebastião faleceu em 1964 no Sítio Saco dos Pereiras, na residência de seu parente Manoel Pereira da Silva, o Manoel Vermelho (1931–2017). Meio século após seu passamento, em 16 de junho de 2014, sua memória foi solemnemente homenageada no alpendre da dita propriedade com o descerramento de uma placa comemorativa, pronunciamentos de historiadores e sertanistas — como o médico e escritor Paulo Bezerra Balá (1933–2017) — e toadas do aboiador Luizinho, reafirmando sua figura como um dos símbolos da honradez, da solidariedade e do patrimônio imaterial do Seridó potiguar.

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