AS RAÍZES DE MANOEL PINHEIRO DE ANDRADE NETTO

   


Manoel Pinheiro de Andrade Netto, distinto genealogista, é natural de Currais Novos, no Seridó potiguar. 

É filho do serventuário da justiça Antônio Pinheiro, que exerceu o ofício de tabelião entre as décadas de 1960 e 1970, e de Marlene Galvão. Esta, por sua vez, descende de Tomaz Cândido e Idila Galvão

Em sua ancestralidade, Netto Pinheiro carrega o sangue do Major Antônio Pires de Albuquerque Galvão, patriarca da Fazenda Carnaubinha, em Acari/RN.

A genealogia materna revela uma complexa e tradicional teia de consanguinidade, característica das famílias seridoenses. Seus bisavós maternos (avós paternos de sua mãe) foram Francisco Cândido de Oliveira Mendes, conhecido como Chico Cândido, e Porfíria Isabel Bezerra de Araújo

O casal era constituído por primos legítimos, descendentes de troncos comuns. Francisco Cândido era filho de Cândido de Oliveira Mendes e Laurinda Bezerra de Vasconcelos; já Porfíria Isabel era filha de Luiz de Medeiros Galvão Júnior (o Lucas Olhão) e Guilhermina Francisca de Medeiros. 

A relação de parentesco estreita-se ao observarmos que Laurinda (mãe de Francisco) e Luiz (pai de Porfíria) eram irmãos, ambos filhos do Capitão Luiz de Medeiros Galvão e de Claudina Bezerra de Vasconcelos.

A prática dos enlaces endogâmicos perpetuou-se entre os descendentes deste tronco. Vários filhos do casal Francisco Cândido e Porfíria Isabel contraíram matrimônio com parentes próximos: Guilhermina Francisca de Oliveira desposou seu primo Francisco Viterbo Bezerra. Este era neto do Capitão Luiz de Medeiros Galvão (já citado), o que tornava Guilhermina, simultaneamente, sobrinha-neta e bisneta do avô de seu marido.

Severino Ramos de Oliveira casou-se, em primeiras núpcias, com sua prima Adélia Adelvina de Medeiros, filha de Antônio Pires de Medeiros (Antônio Lucas) e Luísa Maria de Oliveira. Após enviuvar, Severino uniu-se a Engrácia Pires de Oliveira.

Antônio Cândido de Oliveira consorciou-se com Ana Bezerra de Medeiros, sua sobrinha (filha de seu irmão Manoel Pires de Medeiros, o Neco Lucas).

Vicente Cândido de Oliveira, caçula dos homens e penúltimo filho do casal, casou-se com a prima Inácia Vasconcelos de Medeiros, sobrinha de sua própria mãe, Porfíria Isabel.

No centro desta narrativa familiar encontra-se o avô materno do genealogista, Tomaz Teodomiro de Oliveira, conhecido como Tomaz Cândido. Nascido em 1911 na histórica Fazenda Tamanduá, em Currais Novos, foi o décimo segundo filho de Francisco Cândido e Porfíria Isabel. 

Em dezembro de 1931, aos 20 anos, Tomaz casou-se primeiramente com sua parente Francisca Bezerra de Assis. Desta união nasceram três filhas: Maria (Marié), Marilene e Terezinha.

O destino, contudo, impôs-lhe um revés prematuro: Francisca faleceu em 1936, apenas quinze dias após o nascimento da caçula, Terezinha. Diante do desafio de criar as filhas e gerir a vida no campo, Tomaz contraiu segundas núpcias em 25 de julho daquele mesmo ano dois meses após o viuvez com Idila Galvão de Lira (que passou a assinar Idila Galvão de Oliveira), avó materna de Netto Pinheiro.

A dinâmica familiar reorganizou-se. Marié e a recém-nascida Terezinha foram acolhidas pelos avós maternos, Francisco Evangelista e Maria Etelvina. Já Marilene foi adotada afetivamente por Idila, sendo criada como filha. 

Do segundo matrimônio, nasceram sete filhos, seis dos quais alcançaram a idade adulta, incluindo Marlene Galvão (nascida em 1938), mãe do genealogista. 

Tomaz Cândido faleceu em 19 de setembro de 1995, aos 84 anos, deixando uma vasta descendência que hoje soma 52 pessoas, entre filhos, netos, bisnetos e trinetos.

A pesquisa aponta ainda o grau de parentesco entre Tomaz e sua primeira esposa, Francisca: eram parentes em 5º grau, ligados pelo tronco de Cipriano Lopes Galvão e Manoel Bezerra Galvão. Quanto à segunda esposa, Idila, há fortes indícios, ainda em fase de apuração, de que também pertença ao mesmo tronco "Galvão" de Currais Novos.

No tocante à família paterna (Pinheiro), a tradição de casamentos consanguíneos também se faz presente, ainda que em graus mais distantes, exceto pelo caso dos tios paternos do autor. 

Vicente Pinheiro Galvão casou-se com sua prima legítima Maria Pinheiro de Andrade (irmã do pai do autor). As mães de ambos, Bárbara Maria e Ana Francisca, eram irmãs, e seus pais eram primos legítimos.

Por fim, a pesquisa de Netto Pinheiro culmina na descoberta de que seus próprios pais, Antônio Pinheiro de Andrade Sobrinho e Marlene Galvão de Oliveira, eram primos em 5º grau. 

O elo se estabelece através dos irmãos Manoel Lopes Galvão (ancestral de Marlene) e Ana Lins de Vasconcelos (ancestral de Antônio), evidenciando que a história de Manoel Pinheiro de Andrade Netto é, em essência, a história da reunião de grandes troncos familiares do Seridó.

Fonte: Acervo e pesquisa do genealogista Netto Pinheiro.

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