MANOEL TORRES DE ARAÚJO

 

 A história política e social do Seridó e do Rio Grande do Norte encontra em Manoel Torres de Araújo, cujo centenário de nascimento foi celebrado em 15 de fevereiro de 2018, um de seus exemplos mais eloquentes de probidade administrativa. Empresário e político de estirpe, Manoel Torres construiu uma trajetória pública pautada pela ética e pela retidão, virtudes que o tornaram um paradigma para as gerações subsequentes. Sua vida pública foi intensa e profícua: exerceu a vereança e a vice-prefeitura, ocupou o cargo de prefeito de Caicó em duas ocasiões, foi deputado estadual por quatro mandatos e suplente de senador, funções que desempenhou com uma honestidade rara e valorizada, consolidando sua imagem como uma reserva moral em um cenário político muitas vezes carente de tais atributos. As homenagens alusivas ao seu centenário refletiram a magnitude de seu legado, unindo a Prefeitura de Caicó e a Câmara Municipal em uma programação solene. As celebrações incluíram uma missa em ação de graças no Santuário do Rosário e a abertura de uma exposição com acervo fotográfico e objetos pessoais na antiga sede do Executivo municipal. O reconhecimento estendeu-se às casas legislativas, com sessões solenes realizadas tanto na Câmara Municipal quanto na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, além de tributos nos meios de comunicação locais. A perenidade de seus ideais de lealdade, trabalho e solidariedade remete à sua despedida em 15 de janeiro de 2012, quando seu cortejo fúnebre, trasladado de Natal para Caicó, mobilizou milhares de cidadãos, autoridades e lideranças regionais em um último adeus que culminou no sepultamento no Cemitério Campo Jorge, ratificando o respeito devotado ao líder que fez da vida pública um sacerdócio. Contemporânea a esse período, a biografia de Beatriz dos Santos Araújo, nascida em 24 de junho de 1918 e falecida em 1974, reveste-se de igual importância no âmbito familiar, marcada pela resiliência e por uma fé inquebrantável. Filha de João Batista dos Santos e Francisca Maria dos Santos, Beatriz enfrentou a orfandade de forma precoce e dolorosa: aos quatro anos, perdeu o pai em um trágico acidente e, aos catorze, despediu-se de sua mãe. Diante dessas adversidades, foi acolhida pelo tio Guilherme e por sua esposa Raimunda — padrinhos de seu irmão mais velho, Dedé —, a quem devotou profundo apreço e gratidão ao longo de sua vida, superando os infortúnios da infância com a força de seu caráter.


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