VIVÊNCIA RURAL E A TRANSIÇÃO DE GERAÇÕES
Observa ainda o abandono das lavouras, notando que "o pessoal que trabalhava braçal, esse povo não querem mais essa vida". As terras da região, incluindo seu próprio "pedacinho de terra", estão "virando mato" por falta de mão de obra.
Essa constatação o levou a uma profunda reavaliação de seus próprios valores. Se antes acreditava que o mérito estava na produtividade física – "pensei que quem era bom era quem saía na frente, quem apanhava mais de algodão" –, hoje ele reconhece seu equívoco: "estava totalmente errado e não tem mais como consertar". Sua conclusão é categórica e representa a mudança de um paradigma: "Hoje o caminho é esse: é estudar".
Ele vê nos educadores, como sua filha, a verdadeira vocação que o "orgulha muito". Essa valorização da educação contrasta com seu sentimento de desamparo político, criticando a falta de "nenhuma solução aqui para o Nordeste", como se a região estivesse "trancada e vai continuar".
Sulamita, sua filha, personifica a transição que seu pai descreve. Vinda de uma "infância bem humilde", mas num "tempo mais moderno", ela trilhou o caminho que Edmilson não pôde. Inspirada pela irmã mais velha, que estudou com grande sacrifício familiar, Sulamita formou-se e foi aprovada em concurso público no município de Luís Gomes.
Sua trajetória, entretanto, não representa uma ruptura com as raízes, mas sim uma continuação delas por outros meios. Ela expressa imenso orgulho por ter lecionado em uma escola que leva o nome de seu bisavô, construída em terreno doado por seu avô, e reafirma o compromisso familiar de "contribuir para a educação na comunidade".
Consciente de seu papel como ponte entre gerações, Sulamita se dedica a preservar a memória, levando crianças das escolas para conhecerem o trabalho no "engenho", na "moagem" e na "farinhada".
Ela reconhece a dificuldade dessa preservação, admitindo que "está ficando complicado manter a tradição porque é um trabalho duro... a mão de obra fica complicada", mas insiste na importância de mostrar esse legado.
Assim, observamos a complexidade de um sertão que valoriza seu legado, critica o abandono político e celebra, inequivocamente, a educação como a principal e mais potente ferramenta de transformação social.

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