Dr. FRANCISCO DE ASSIS MEDEIROS (1935/2016)

 Filho de José Adelino de Medeiros (1895/1977) e de Jacinta Medeiros (1917/1994). Neto de Adelino Pereira de Medeiros e de Teodora Rosalina de Medeiros. Neto pela linha materna de José Ursulino de Medeiros e Maria Jacinta de Medeiros.  

Escritor, advogado e ex-prefeito de Caicó, na gestão do interregno de 1969 a 1973. 

Disputou e venceu a empolgante campanha eleitoral de   1968. O mesmo ocorreu em Acari na disputa do Cachimbão, Gutemberg Brito,  contra o Bigodão, Dr. Bezerra.  Em Caicó disputaram o ressaltado pleito Seu Manoel Torres de Araújo e o advogado Francisco de Assis Medeiros.

A literatura é uma das atividades humanas que mais se beneficia com o tempo, pois se nutre da memória e da experiência, abundantes na maturidade. 

O caicoense Francisco de Assis Medeiros, conhecido como Dr. Chiquinho, é um excelente exemplo dessa virtude, evidenciada pela vasta obra que vem produzindo.

Seu livro mais recente, "Narrativas Seridoenses: histórias, crônicas e lendas" (Edição do autor, 2015), foi uma forma de celebrar seus oitenta anos. 

Para marcar a data de maneira especial, ele decidiu estender a comemoração ao longo de todo o ano, com a publicação de mais dois volumes sobre as sagas seridoenses, com lançamentos previstos para julho e dezembro.

Apaixonado por sua terra natal, Caicó, da mesma forma que Moacy Cirne, Dr. Chiquinho é um memorialista atento a tudo que se refere à vida da cidade e, de modo geral, à região do Seridó. 

Por isso, seu livro abrange uma ampla variedade de temas. Ele discorre sobre seu amor pelo colecionismo, detalhando, por exemplo, a paixão com que, na infância, reuniu uma vasta coleção de figurinhas Eucalol e as alegrias que isso lhe proporcionou.

No entanto, as histórias de vida são o ponto alto deste primeiro volume de "Narrativas Seridoenses". Merecem destaque, em particular, os perfis de mulheres fortes e determinadas, como: Clara Maria dos Reis, que, após um momento de impulso, transformou completamente sua vida e deu origem a uma importante linhagem sertaneja.

Andreia Maria de Medeiros, que recusou uma fortuna ilícita em nome de seus princípios éticos.

Idméia, que, após vivenciar amores turbulentos, deu uma reviravolta em sua trajetória, tornando-se uma figura vitoriosa.

Joana Fogueteira, uma pioneira que se destacou na fabricação de fogos de artifício, uma atividade incomum para as mulheres de sua época.

Além dessas narrativas, o autor investiga um crime de 1842 na fazenda Suçuarana, em Caicó, onde a sobrinha do Padre e Senador Brito Guerra foi morta por asfixia. O capítulo "Uma história desnudada" traz essa pesquisa à tona.

O livro explora também a religiosidade popular, um tema de especial interesse para Dr. Chiquinho. Ele traça um paralelo entre a festa de Santana de Caicó e a devoção a Santana d’Auray na França, fazendo ainda comparações com o culto a Nossa Senhora de Guadalupe, no México, e a devoção a João Paulo II.

Dr. Chiquinho também dedica espaço para retratar figuras populares e marcantes da vida caicoense. A galeria de personagens inclui: Bole-Bole, o folclórico jornaleiro que, mesmo dizendo-se analfabeto, "criava" manchetes para cada leitor.

Seu Benedito, o misterioso peregrino da Festa de Santana, cujas aparições e desaparecimentos geraram lendas.

Lantequera, o jogador cujas ascensão e queda são narradas em detalhes, contrastando com as vidas de Bole-Bole e Benedito.

Em suma, "Narrativas Seridoenses" é um livro cativante, com um estilo ágil e enredos bem construídos. É uma leitura que agrada a quem se interessa pela vida potiguar e, em particular, pela história do Seridó. 

A obra é, acima de tudo, um valioso presente que o autor se dá em sua longa e produtiva jornada de vida.


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