ÍTALO SANFONEIRO

 

A trajetória de Pedro Ítalo Duarte, conhecido artisticamente como Ítalo Sanfoneiro, integra a memória cultural recente do Seridó.  Natural do Junco, na Paraíba, e radicado em Cruzeta, no Rio Grande do Norte, o músico construiu sua experiência artística a partir da infância, quando, criado pela avó materna, já demonstrava interesse pela música.  A relação com a sanfona e com o repertório tradicional do forró tornou-se, ao longo dos anos, o eixo de sua atividade profissional. Ítalo nasceu em 28 de junho de 1988, no Junco.  Segundo seu relato, foi criado pela avó materna, sob disciplina rígida.  Desde criança manifestava o desejo de seguir a música, embora encontrasse resistência familiar.  Aos sete anos já demonstrava interesse em tocar instrumentos e, aos doze, iniciou-se como zabumbeiro, acompanhando músicos da região.  Aos quinze anos começou a aprender sanfona com um colega em Currais Novos, dando novo rumo à sua formação musical. Sua principal referência é Luiz Gonzaga, cuja obra conhece de forma extensa.  Também reconhece a influência de Dominguinhos, Sivuca, Flávio José, Marinez, Amazan e Vicente Néri.  Seu repertório está ligado principalmente ao chamado pé de serra, modalidade do forró com a qual mantém maior identificação.  Além de executar melodias, afirma dominar primeira e segunda voz e participar de formações de coral.  O violão e a música clássica aparecem como interesses complementares em sua trajetória. Por volta de 2015, Ítalo mudou-se para Cruzeta, onde passou a desenvolver parte significativa de sua atividade profissional. A mudança esteve relacionada a uma oportunidade de trabalho e ao casamento, posteriormente encerrado. Mesmo depois da separação, permaneceu na cidade, onde conta com o apoio da ex-sogra. Segundo seu depoimento, prefere as condições climáticas de Cruzeta às do Junco, sobretudo por considerar que o frio interfere em sua garganta e em seus olhos. A trajetória do músico também foi marcada por problemas de saúde. Depois de sofrer um Acidente Vascular Cerebral, passou a apresentar dificuldades relacionadas à fala e à execução musical. O tratamento contou com auxílio financeiro de amigos. Ainda assim, manteve as apresentações e continuou utilizando a música como principal forma de trabalho e de contato com o público. A rotina profissional de Ítalo envolve deslocamentos frequentes para Currais Novos, onde costuma se apresentar em pontos conhecidos da cidade, como a região da Mina e as proximidades da Padaria Primor. O deslocamento entre Cruzeta e Currais Novos é facilitado por relações de amizade construídas com profissionais do transporte, que lhe permitem viajar sem pagar regularmente a passagem. A atividade, contudo, apresenta dificuldades financeiras. Além dos gastos cotidianos, a manutenção da sanfona representa uma despesa significativa. Afinação, substituição de peças e outros reparos podem comprometer parcela importante dos recursos obtidos com as apresentações. Em seu próprio relato, Ítalo chama atenção para o custo do instrumento: “Sanfona é coisa cara, né? É cada uma peça da aqui para afinar mais de tudo, 600 conto.” O preço de uma sanfona (acordeon) no Brasil varia bastante conforme o número de baixos e o estado do instrumento. Modelos infantis ou de 8 baixos custam a partir de R$ 800, enquanto opções intermediárias para estudo (48 a 80 baixos) ficam entre R$ 4.500 e R$ 7.000. Instrumentos profissionais ou importados novos podem passar de R$ 17.000. As redes sociais passaram a desempenhar papel importante na divulgação de seu trabalho. Utilizando o nome Italosanfoneiro, o músico publica vídeos e registros de suas apresentações, mantendo contato com o público e procurando novas oportunidades de trabalho. A tecnologia, nesse caso, tornou-se uma extensão de sua atividade nas ruas e dos espaços tradicionais onde se apresenta. A música também aparece em sua narrativa como uma escolha que remonta à infância. Ao recordar a avó, afirma: "Minha avó não queria e prendia eu, sabe?” A lembrança demonstra que o desejo de tocar surgiu ainda nos primeiros anos de vida e permaneceu apesar das restrições familiares. Ítalo também atribui importância à religiosidade e afirma não fumar nem beber. Segundo seu depoimento, procura guardar parte dos recursos que consegue obter com o trabalho, formando o que chama de seu “pé de meia”. Essa preocupação com a manutenção da própria subsistência aparece associada à continuidade da atividade musical. Sua história registra, portanto, uma trajetória construída fora dos grandes circuitos profissionais da música. A sanfona tornou-se instrumento de trabalho e de expressão pessoal, enquanto as ruas de Currais Novos e outras cidades do Seridó passaram a constituir espaços de atuação. O percurso de Pedro Ítalo Duarte revela, nesse sentido, uma dimensão do cotidiano cultural da região: a permanência do forró tradicional na experiência de músicos que fazem da apresentação pública uma forma de sustento e de preservação de um repertório transmitido de geração em geração. O registro desse depoimento, realizado para a preservação da memória cultural local, permite acompanhar não apenas a formação de um sanfoneiro, mas também as condições concretas em que um músico popular mantém sua atividade no Seridó. Sua infância, a influência da avó, o aprendizado da sanfona, as dificuldades financeiras, os problemas de saúde, os deslocamentos e o uso das redes sociais compõem uma trajetória individual que também integra a história cultural cotidiana da região.

Para informações de contato, agendamento de shows ou formas de apoio ao artista específico, o melhor caminho é verificar as páginas oficiais do próprio sanfoneiro nas redes sociais (como Instagram ou Facebook) ou acessar o site oficial do artista, onde geralmente ficam disponibilizados os contatos de assessoria e produções. 

https://www.instagram.com/reel/DbeLUiWtMS2/?igsh=MWs1OWF3ODM0dHo5MA==

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