RADIR PEREIRA DE ARAÚJO (1920-2000)

 

Nascido sob o solo árido e promissor de Currais Novos, no Seridó potiguar, em 5 de abril de 1919, Radir Pereira de Araújo emergiu como uma figura cuja trajetória entrelaçou, de forma indelével, o vigor do empreendedorismo e a vocação para a vida pública. Filho de Aproniano Pereira de Araújo e Maria Augusta Pereira, Radir carregava em seu cerne uma herança política secular, sendo descendente de vultos como Tomás de Araújo Pereira, antigo Presidente da Província, e do Deputado Tomaz Pereira de Araújo, além de manter laços de parentesco com Cortez Pereira, que também viria a chefiar o Executivo estadual. Sua iniciação no mundo do trabalho deu-se no comércio familiar, a loja “A Sertaneja”, fundada em 1912 por seu pai e o sócio Ladislau Galvão; ali, Radir ingressou como sócio em 1936, percorrendo os sertões de fazenda em fazenda até assumir a administração integral em 1945. Sob sua égide, o empreendimento transcendeu os limites locais e consolidou-se como uma rede de quarenta lojas espalhadas pelo interior do Rio Grande do Norte e da Paraíba, incluindo três filiais na capital, Natal, tamanha era sua visão estratégica que o levou, inclusive, a adquirir uma aeronave para supervisionar seus negócios.

Simultaneamente à ascensão empresarial, Radir trilhou uma sólida carreira política que teve início na vereança de sua terra natal entre 1954 e 1958, período no qual presidiu a Câmara Municipal e exerceu a chefia da prefeitura interinamente por três vezes. Em 1958, alçou voos maiores ao ser eleito Deputado Estadual pelo Partido Trabalhista Brasileiro, logrando sucessivas reeleições em 1962 e em 1966 — já filiado à ARENA sob a égide do regime militar —, vindo a presidir a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte antes de encerrar seu ciclo parlamentar em 1971. Após uma tentativa ao Senado pelo MDB em 1978, retornou ao protagonismo em 1982, pelo PDS, ao compor como vice-governador a chapa vitoriosa de José Agripino Maia. Em 14 de maio de 1986, com a desincompatibilização de Agripino para disputar o Senado, Radir assumiu a titularidade do Governo do Estado, exercendo o mandato até 15 de março de 1987, quando transmitiu a faixa governamental a Geraldo Melo, reafirmando a força política do Seridó, região que legou ao estado onze de seus cinquenta e seis governantes.

Na esfera pessoal e íntima, Radir Pereira de Araújo uniu-se em 1949 a Aida Ramalho Pereira de Araújo — referenciada também como Alda em registros familiares —, com quem compartilhou décadas de vida e constituiu uma descendência composta por quatro filhos, entre os quais o sogro do ex-deputado Múcio de Sá, além de onze netos e quatro bisnetos. Homem de trânsito político versátil, acompanhou as metamorfoses partidárias do Brasil ao passar pelo PFL e PSDB, manifestando apoios históricos a figuras como Tancredo Neves, em 1985, e Fernando Henrique Cardoso, em 1994. Seu falecimento, ocorrido em Natal no dia 7 de junho de 2000, aos 80 anos, reverberou por toda a nação, culminando no decreto de luto oficial de três dias pelo Presidente da República, que compareceu pessoalmente ao seu velório. Eternizado na memória urbana de Currais Novos por meio de logradouros que levam seu nome, o legado de Radir permanece como um testemunho da simbiose entre a liderança regional e a influência política que moldaram a história potiguar no século XX.


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